Quero uma pista de skate no meu condomínio

Exemplo de implantação de um percurso skatável em condomínio
Exemplo de implantação de um percurso skatável em condomínio

Projetar e construir pistas de skate (ou bike, patins e afins) são algumas das coisas que eu faço. Espero que com esta postagem eu possa ajudar aqueles que estão dizendo “Quero uma pista de skate no meu condomínio”. Como arquiteto, defendo que uma pista de skate não deve ser encarada como um ‘produto’, e sim como um processo que envolve levantamento, projeto e execução como qualquer outra obra. *Aliás escrevi um pouco sobre isso neste outro post sobre contratação de projetos de arquitetura.

Essa visão “imediatista” de construção como um produto padronizado é bastante característico nessa área das pistas de skate (talvez até mais do que em outros tipos de obras) pois, por se tratar um assunto bastante específico, aqueles profissionais que desenvolvem os projetos normalmente também os constroem  (e vice e versa). Além disso existem outras questões como este tipo de serviço ser considerado uma obra pequena; seja por não constar como acréscimo de área construída (a não ser nos casos em que seja feita uma nova edificação ou cobertura) ou então por ser apenas um item de lazer entre os diversos disponíveis.

Se existe a intenção de execução de uma pista de skate integrando sua estrutura com os demais itens e espaços existentes nas áreas comuns do condomínio, o mais correto seria contratar um estudo de viabilidade e um projeto arquitetônico embasado nas condições existentes.

Muitas empresas ou profissionais da área podem fornecer uma proposta simples para a execução de uma rampa ou obstáculos padronizados a partir de medidas, ou verba disponível fornecidas pelo cliente. Algo mais próximo de um produto pronto realmente. (Inclusive existem várias empresas com itens assim à venda se procurar na internet).

Mas, isso é bem diferente de obter um projeto para atender a essa demanda da melhor forma possível. Tanto nos quesitos técnicos, como ambientais, culturais, econômicos e estéticos. Um projeto de arquitetura é o que vai, além de implantar este item, valorizar o patrimônio e garantir o melhor uso do espaço e da verba disponível/destinada.

Pista pequena da modalidade street em SP por Lanfer.Arq
Pista pequena da modalidade street em SP por Lanfer.Arq

Se você é skatista e quer uma pista no seu condomínio, o primeiro e mais difícil passo é, além do levantamento do número de interessados, o convencimento daqueles que não estão tão interessados assim de que a ideia de investir em uma pista vale a pena e conseguir um número de votos suficientes para isso ser aprovado em assembleia.

Se você faz parte do corpo diretivo de um condomínio, e recebeu essa solicitação, a difícil tarefa é de apresentar essa possibilidade aos condôminos com dados embasados desde as características desejadas da pista até as estimativas de custo e prazo para por em votação. A maior questão é que isso é difícil de fazer sem contar com alguma ajuda profissional, não é? Todos gostariam de apresentar um projeto em 3d no telão dizendo o quanto ele custa. Mas, esse tal projeto no telão já é um serviço a ser contratado, ou seja: Sem uma verba você não consegue o projeto, e sem um projeto você não consegue a verba!

Uma solução para os condomínios seria colocar em votação não logo a execução da pista, mas sim o valor para contratação de um projeto de arquitetura visando o correto desenvolvimento do equipamento.

Os interessados poderiam apresentar aos seus condomínios referências construídas, estimativas de custo e dados técnicos para colocar em votação a contratação do projeto de arquitetura visando o correto desenvolvimento.

Banks do TuCasa em Santos por Lanfer.Arq
Banks do TuCasa em Santos por Lanfer.Arq – Foto:@clicksdosan

Mostraria-se por exemplo que o valor de projeto é muito pequeno com relação à obra, mas que com ele o condomínio irá economizar dinheiro, além de fazer algo bem feito, bonito, eficiente, duradouro. Avançando ainda nesta mesma estratégia poderia-se por exemplo apresentar opções estimativas de custo por metro de diferentes tamanhos de pistas (entre maior e menor), para que sejam escolhidas na hora ou então desenvolvidas ambas pelo arquiteto para que numa segunda assembléia seja escolhida a opção definitiva a partir da apresentação dos projetos e dos custos precisos de construção.

Outra solução seria aquilo que muitos dos skatistas sempre fizeram: uma vaquinha. Porém seria feita agora de uma forma mais profissional: ao invés de juntarem dinheiro para comprar as madeiras e fazer obstáculos com as próprias mãos, seria para pagar um projeto e este agora viabilizar uma obra paga pelo condomínio.

Quero uma pista de skate no meu condomínio….

É um sonho não é? Corra atrás do seu!


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