Construindo um bowl ou banks no seu quintal


Escrevo aqui mais um texto sobre construção de pistas, que é um assunto que obviamente eu adoro. Além disso é o sonho de qualquer skatista: ter uma empresa especializada construindo um bowl ou banks no seu quintal.

A área de atuação na construção de pistas é um mercado bastante específico e que recentemente tem se profissionalizado um pouco mais dentro da construção civil. A iniciativa de escrever a respeito é importante para demonstrar aos leigos um pouco desse universo e o valor de obter um projeto técnico e o acompanhamento profissional para a construção de um equipamento do tipo, para que ele sirva corretamente ao esporte e atenda às expectativas dos skatistas.

Vamos ao que interessa.
Este texto (e fotos principalmente) é resultado da experiência que tivemos construindo uma pista num quintal para clientes-amigos e que pode ser muito útil para qualquer um que esteja buscando algo parecido. Agora, se você está buscando uma pista que “não é só sua”, talvez goste de ler então este outro post aqui sobre pistas de skate em condominios ou quem sabe este outro sobre a “luta” para viabilizar uma pista de skate pública.

As duas questões mais importantes que me deparo nos projetos de pistas de quintal (ou nos projetos de qualquer tipo de pista, na verdade…) são área disponível e verba para investir. Acaba ocorrendo que em pistas de quintal a área disponível é geralmente bastante limitada enquanto em pistas públicas o fator dinheiro é ainda mais restritivo, pois espaços que poderiam receber pistas existem em qualquer município.

Como é de se imaginar então estes dois fatores, de tamanho e custo, caminham juntos. Quanto maior a pista mais ela vai custar. Mas existem muitos outros fatores que influem no custo final, e isso é um assunto extenso, motivo para um outro post!

Certo, digamos que você já tenha o espaço disponível, uma verba pra investir (depois ou mesmo antes de ter lido o post sobre custo de pistas) e alguma noção da empreitada que vem pela frente. O primeiro passo é obter um projeto. Não sabe por que contratar um projeto de arquiteto? (e nesse caso aqui, mais importante ainda; um arquiteto-skatista?) Leia neste texto de como e por que contratar um projeto de arquiteto.

O projeto de arquitetura é que vai dizer o que cabe o que não, que altura ficaria melhor, qual raio de transição utilizar, como posicionar e integrar a pista com tudo que já existe no terreno, como apoiar/estruturar o equipamento, como jogar a água pra fora, etc etc etc!

Definido o projeto detalhado (até a fase de “projeto executivo”) é hora de começar a obra. Vou resumir então a seguir, com fotos e descrições, algumas etapas de uma obra como esta.

Nessa obra aqui de exemplo começamos pela marcação, seguido das demolições e escavações:

Depois o ajuste inicial das cotas e raios no terreno e assentamento da alvenaria para a viga de borda (*a estrutura de cada pista depende e deve ser elaborada de acordo com vários fatores como: altura, curvas, distâncias e claro, principalmente, as características do solo).

Nesse terreno havia uma laje existente, que dificultou o trabalho pela quebradeira mas ajudou no apoio da viga de borda e na rigidez da estrutura quando finalizada. A área externa depois foi aterrada com terra do próprio buraco da pista, e o novo piso liso feito 30cm acima do original. Tudo isso permitiu o mesmo padrão de acabamento também fora da pista, diminuiu o bota-fora de terra além de ajudar na drenagem externa para a rua. Na sequência a fixação dos copings. *Quando feito em tubo metálico os próprios copings servirão como mestras superiores:

Execução dos gabaritos (na espessura da camada total) e conferência dos pontos para as mestras inferiores:

Execução do ralo de fundo (aqui não havia queda suficiente, o que exigiu uma bomba de recalque dentro dele), finalização dos copings e das alvenarias de borda… Após as mestras inferiores (com madeira mais flexível nas partes curvas, execução do concreto magro em toda a pista:

Agora a pista saiu da terra. Como este é um ambiente muito úmido, lençol freático alto, além do concreto magro fizemos uma impermeabilização flexível bi-componente. A próxima etapa é a estruturação e amarrações da camada de rolagem com as malhas, os vergalhões e espaçadores/chumbadores:

Com a armadura feita, é necessário o reajuste dos gabaritos para a camada de recobrimento e partimos para o início da concretagem:

A parte mais difícil e importante; o sarrafeamento e alisamento é feito junto a cura inicial e endurecimento do concreto (com as ferramentas na primeira foto acima, ou seja; não há margem para erros:

E seguimos com repetição do processo…. Sarrafo, desempenadeira de madeira, desempenadeira metálica. A sequência dos panos de concretagem é feita sempre alternada para facilitar as formas laterais e juntas:

Depois ainda tem “bump” (lombada entre os níveis), piso de fundo (flat), tampa do ralo (que neste caso dá acesso à bomba de recalque):

Execução das plataformas externas, abertura e tratamento das juntas de dilatação:

Por fim os ajustes finais…. liberação da tampa do ralo, cura do concreto, limpeza geral, aplicação de primer nos copings e de resina em toda a pista:

Então depois de muita luta finalmente… Pista Pronta!!!

É isso aí…. Não é fácil, mas é gratificante! Espero que essa postagem sirva de auxílio na decisão de contratação de uma empresa especializada: tanto para seu projeto como para a execução de sua obra de pista! E agradeço novamente aqui à equipe… Lanfer Arq com parceria também da Overall Engenharia, além nos nossos clientes/amigos que tornaram isso possível.

Obtenha ajuda profissional e concretize esse sonho… construindo um bowl ou banks no seu quintal !


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