Sala São Paulo – Arq. Nelson Dupré


A “Sala São Paulo” é a famosa sala de concertos que fica na Estação Júlio Prestes, no bairro da Luz, região central de São Paulo

Vista do palco da sala são paulo durante um concerto musical

A estação foi toda remodelada para poder abrigar uma sala de concerto de nível internacional.

O espaço funciona hoje como sede da OSESP, a Orquestra sinfônica do Estado de São Paulo. Divide o espaço lá também a Secretaria Estadual da Cultura e seus diversos departamentos. Entre eles está a Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH), um braço do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (CONDEPHAAT).

Vista do da galeria interna do edifício

A estação pertenceu à Estrada de Ferro Sorocabana, antiga ligação da capital com o interior, e que foi financiada pelos barões do café. Foi projetada por Christiano Stockler das Neves em 1925, e concluída (sem a cobertura e as cúpulas do projeto original) em 1938, quando São Paulo já estava em vias de adotar o sistema rodoviário de transporte como o principal.

Galeria interna com pé direito alto

A partir de 1948 a empresa passou a ter graves problemas econômicos. Depois de algumas tentativas de reestruturação entre as décadas de 40 e 60, foi formada na década de 70 a FEPASA, que ainda assim não conseguiu reverter o processo de abandono do sistema.

Entre sua longa história de altos e baixos, a antiga “Companhia Estrada de Ferro Sorocabana”  se fundiu e formou a “Companhia União Sorocabana e Ituana“. Depois se tornou “The Sorocabana Railway Co.”, que passou para domínio da “FEPASA“(1971) e mais tarde da “RFFSA” (da União, após 1998). Por último, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) que atua hoje no país e a concessão à Ferroban, que é hoje operada pela América Latina Logística. Ufa!

Na Estação Júlio Prestes funciona hoje o sistema da CPTM, que incorporou, à partir de 1995, as linhas suburbanas da antiga Sorocabana.

Novo e antigo
Escadas para o mezanino

Sobre o Projeto:

O restauro e adequação da estação foram realizados a cargo do arquiteto Nelson Dupré, que comenta neste link do próprio site da OSESP sobre esta obra prima.

Mezanino de acesso

A sala possui diversos níveis aproveitando-se do “grande hall” e dos espaços contíguos disponíveis.

Para acesso aos balcões inferiores, foram construídas escadas e um mezanino tirando partido do pé direito duplo original (foto acima e anteriores).

Escadas e elevadores
Hall dos elevadores

Toda a parte de circulação vertical teve de ser reestruturada. Aqui é visível adequação dos elevadores antigos aos padrões atuais.

Para acesso aos balcões superiores, é usado o pavimento superior original, através de seus grandes corredores (imagem abaixo).

Corredor de acesso

Vamos à sala propriamente dita:

Como visto nas primeiras imagens da postagem, o lugar é muito bonito. Mas também funcional.

A acústica do projeto ficou a cargo da empresa de consultoria norte-americana Artec intermediada também pelo consultor brasileiro José Augusto Nepomuceno, e pelo CONDEPHAAT.

Coluna e forro móvel na Sala de concerto

Importantes questões foram equacionadas:

O forro móvel, um dos ícones deste projeto, garante a adaptação da sala ao tipo de música que será tocado; traz flexibilidade mas também visibilidade da arquitetura original por trás dos painéis.

As colunas e os detalhes rebuscados favorecem a reflexão sonora multidirecional ou seja: conforto e qualidade acústica, além de terem sido preservados realçando a beleza e história do lugar.

Poltronas da sala de concerto

A utilização de poltronas específicas para cada projeto é também essencial; todas as superfícies apresentam características de absorção e reflexão sonoros distintos (com seus coeficientes para cada faixa audível), inclusive as pessoas da platéia. Deve-se pensar tanto na sala cheia como também ela vazia.

Expectadora linda

No dia de nossa visita fomos assistir a apresentação da orquestra sinfônica da Usp – OSUSP, que é menos prestigiada do que a OSESP, mas gostamos muito mesmo assim (e qualquer leigo vai achar o máximo).

Panorâmica da sala de concertos

Está aí um projeto impressionante. Cultura, lazer, história e técnica tudo

Espero que gostem.

Ainda está curioso? veja imagens da Sala São Paulo em 360º neste link: http://www.br360.com.br/sp/flash/sala-sp01.html

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Pça. Júlio Prestes, nº 16
São Paulo-SP

Como chegar / programação / ingressos /serviços, acesse o site: http://www.osesp.art.br/portal/paginadinamica.aspx?pagina=salasaopaulo


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2 Comments

  • Olá, Fábio Lanfer, eu gostei muito da história da antiga estação Julio Prestes. Estou muito curioso para saber sobre o piso do prédio, ou seja os mosaicos que acho fantástico e estou pesquisando alguns e suas origens. Será que você não poderia me ajudar? Por favor. Te agradeço desde já. Abs. Lourenço

    • Lourenço, seu comentário ficou há tempos na pasta de spam!?!?! Bom, citando trecho retirado deste site: http://www.piratininga.org/Sorocabana/sorocabana.htm “Mesmo sem ter sido concluído na íntegra, o prédio da Sorocabana recebeu acabamento de excepcional qualidade. Os ornamentos da fachada foram confeccionados pela Casa Franceza, empresa especializada da época. Os vitrais são de autoria do alemão Conrado Sorgenicht, o maior vitralista atuante em São Paulo do século XX. Os portões de ferro e as grades das janelas ficaram a cargo do Liceu de Artes e Ofícios. Mármores importados e pastilhas de mosaico de porcelana foram utilizados em abundância no revestimento do piso, e as bilheterias foram construídas com madeira de lei”.
      Sugiro que faça uma visita e tente consultar o próprio CONDEPHAAT para mais referências sobre eles!

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