Descartando o Nosso Lixo


Problema que enfrentamos diariamente, e acabamos todos – alguns mais outros menos – colaborando para o grande desastre ambiental urbano que é a geração de lixo. Já existe atualmente no mundo gente inserida no conceito de resíduo zero. Algumas cidades ditas verdes estão em projeto e outras em construção, mas o desafio do “morar sustentável” está bem distante da realidade da maioria dos moradores dos grandes centros urbanos mundiais.

Quando se fala na escala de milhões de pessoas, qualquer fator que faça diminuir a produção individual (ou por lar) de lixo faz uma diferença muito grande. Devemos principalmente: reduzir nosso consumo. Porém, utilizar e incentivar a reciclagem também é importante e representa um grande avanço. O maior problema dela atualmente é que ainda atende muito pouco a cidade; falta infra-estrutura, divulgação e por incrível que pareça, conscientização desde a pré escola.
A reciclagem de lixo está em 1,3% na cidade de São Paulo, 5% na cidade do Rio de Janeiro, e em aproximadamente 2% do total de lixo gerado no Brasil: É muito pouco!  (*dados de quando foi escrito este texto)
Devemos sim continuar coletando e pressionando as autoridades à investirem pois muito do lixo já separado pela população vai acabar em aterro comum por falta de planejamento. Pretendo então dar aqui umas dicas, para que cada um faça sua parte:
 
Lixo Eletrônico
Uma tendência irreversivel é o aumento deste tipo de lixo. O mundo está cada vez mais tecnológico e o problema está na liberação de substâncias tóxicas (link do Yôga10 sobre isto) no ambiente quando descartados de forma errada.

O governo do estado criou um sistema de catalogação das cooperativas de reciclagem de lixo eletrônico; chama-se e-lixo. Você clica no tipo de lixo, põe seu endereço e o sistema indica a cooperativa mais perto de você. Uma bela iniciativa não?


Sacolas Plásticas
As sacolas plásticas foram quase proibidas (?sim, proibidas e depois permitidas denovo) para venda e distribuição por estabelecimentos comerciais em São Paulo em 2012. A lei que havia sido sancionada (pelo então prefeito Gilberto Kassab), obrigou aos estabelecimentos exibirem placas informativas “Poupe recursos naturais! Use sacolas reutilizáveis” de 40 por 40cm.

    Estavam isentas desta lei:
1-) embalagens originais das mercadorias;
2-) embalagens de produtos alimentícios vendidos a granel (como hortifrúti vendidos em feiras);
3-) embalagens de produtos alimentícios que vertessem água (como carnes e laticínios).
A lei foi polêmica, não houve preparação/conscientização suficiente, e “não deu certo” infelizmente. (Ao menos adotei minhas sacolas de pano para as compras do mês!).
Existem aqueles que argumentam à favor (?) das sacolas plásticas… (como neste link do “ultimosegundo” da IG). Argumentos contra as sacolas estão também no portal do Governo do Estado de São Paulo. Ainda interessado nas sacolas? Link sobre elas no Wikipédia.
Na gestão Haddad foi inaugurada uma grande usina de reciclagem, permitindo a destinação correta do montante da coleta seletiva atual.
Uma outra iniciativa foi a divisão das sacolas plásticas por cor para poderem ser reutilizadas para reciclagem (verdes) e ou destinação final (cinza, feita com material biodegradável). Um belo avanço.
O que eu acho? Acho que a questão envolve uma mudança de hábito e mentalidade da população, o que é muito positivo.
Devemos diminuir o consumo, e aquilo que usamos devemos reutilizar e reciclar, e ponto.
Como fazer isso? Boas dicas sobre o assunto: sacolinhasplasticas / plastivida / setorreciclagem / portalsaofrancisco

Reciclagem/Separação
Como citei no início da postagem, não acredito como ainda estamos tão atrasados neste assunto. Acredito que um dos pontos mais importantes é a coleta seletiva (como o exemplo na foto de dentro de um supermercado em São Paulo).
Separar é simples: Papel/Metal/Plástico/Vidro
Ainda existem outras categorias e todas seguem um padrão gráfico como nesta imagem tirada do site “Ecologia Online“.
lixeiras-material-reciclavel
Dúvidas frequentes:
Isopor é reciclável? Sim! (ele é feito de plástico expandido), porém como é muito leve, as empresas não se interessam em recolher. Pouco isopor para muito caminhão.
Não sei a embalagem é de plástico ou de papel! E agora? Para isso existe a triagem e o processamento. Vai pelo que lhe parece mesmo. Ah, o mesmo site acima possui uma postagem com dicas do que pode e do que não pode reciclar.
Lixo Orgânico: Este é mais fedido mas é o mais simples de ser tratado; vira adubo!
Cascas de verduras e frutas, casca de ovo, restos de comida, aparas de madeira e poda de jardim; todo o material orgânico se decompõe e vira húmus, que é melhor que qualquer fertilizante inorgânico existente. São as compostagens, você deve conhecer alguém que a usa no quintal de casa. Vamos ajudar a acabar com a contaminação pelos lixões nas cidades?
Leia as dicas do “Ib USP” e do “Tarja Verde“.

Lixo Contaminado
(hospitalar, industrial e radioativo)
Esta é uma questão delicada pela necessidade de cuidados especiais nas atividades de acondicionamento, manipulação e disposição final. Normalmente as pessoas nem notam a sua existência justamente pelos cuidados que existem para evitar seu contato com a população; se notam (tem contato), é porque está faltando política pública adequada para o assunto. Solução? Boca no trombone!
Exemplos bons não faltam para questões de saúde e saneamento, o que falta é vontade política.
Vide o Incinerador de Pinheiros, um espaço que servia como destinação de resíduos na cidade de São Paulo – altamente contaminado – que foi transformado em uma praça, auto-intitulada de Espaço Aberto da Sustentabilidade, como descrevi na postagem da Praça Victor Civita.


Políticas Públicas para solução do problema.
Aterro-zero, trans-porto e eco-porto, hein?
Além da proibição das sacolas plásticas, estão em curso o desenvolvimento de diretrizes (tanto na RMSP assim como em outros lugares no mundo) para eliminar os aterros sanitários (e os lixões claro, que são ainda piores que os primeiros) de nossas cidades.

Estes cartazes colados acima das lixeiras na foto foi uma brincadeira – meio séria – de um grupo que estuda a fundo este problema, e propõe soluções integradas nas questões de transporte de cargas públicas, drenagem fluvial, requalificação urbana e valorização dos nossos rios. Trata-se do “Grupo Metrópole Fluvial” da Faculdade de Arquitetura da USP, coordenado pelo Prof. Arquiteto Alexandre Delijaicov. Veja pequena notícia relacionada, da revista Trip.*OBS: Eco-porto é lugar de coleta de recicláveis, e Trans-porto é lugar de transbordo de resíduos sólidos para sua correta destinação. Vide página do grupo no Facebook.

Ciclo do lixo:
Podemos dividir a questão da solução do problema do lixo nas etapas de: Coleta, Transporte e Destinação.
Na parte da coleta: deve atender a todos os domicílios, e melhorar sua logística.
Está ligada à etapa do transporte, que deve ter o menor impacto possível, com veículos mais eficientes.
A destinação, (relacionada com o transporte pela sua localização e percurso), deve ser pensada como forma de transformação do “lixo” em matéria prima para novos usos, num novo ciclo.
Este novo paradigma é também chamado de logística reversa. Onde cada fabricante deveria se responsabilizar pela destinação do seu material produzido após seu uso.
O caminho mais natural conhecido é incorporar a triagem e o pré processamento na coleta, para então a reciclagem ser feita pelas indústrias. Vamos fazer a nossa parte!.

Charge muito boa tirada de outro blog; lixotuboemrocagrande.blogspot.com.
A questão é importante e está aí para ser discutida.


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